10 junho 2026

elemento de contraste

pouco, no metro e oitenta
tanta, no seu metro e setenta 

cabe aqui, junto a mim
ao meu lado

litro de cafeína, rouco
dose de água gaseificada, alenta

pousa aqui, vem sem fim
vôo delicado

lote de adrenalina, louco
pose de moça sofisticada, atenta

vive aqui, amor desde o começo
fim indeterminado.

*Luiz Cláudio Pimentel
21/65 






 

09 junho 2026

mais mergulho na praia 
(releitura romântica da missão científica)


mais ciência sobre o descansar
mais doçura sobre o salinizar

mais atitude para o vigor
mais loucura, cândido amor

mais vigência de intervalos
mais candura sobre os calos

mais estreitos sejam os abraços
mais alturas, plenas de espaços

*Luiz Cláudio Pimentel
20/65
  

 

inverno candango

poderia congelar teus ossos
mas te feres
levemente te acomodas

cada vez menos intensa
propensa a te levares daqui com eles 

deverias revelar teus passos
mas os ocultas de mim
sorrateiramente te incomodas 

cada vez mais dispersa
disposta a voares com eles

pra onde?
não sei.

* Luiz Cláudio Pimentel
19/65

 

 

vejo:bem

perceba
note
que te noto, 
também

já te vi 
mas, por bem 
me recolhi 

receba
escute
que te ouço,
e bem

até quero desistir, 
mas, meu bem
eu te escolhi. 

* Luiz Cláudio Pimentel
18/65

alguma forma de magia

uma quimera, uma fantasia
risco sincero, hercúleo desafio

o brio entre nós
a fumaça pode brasear

inflamar nossos magros egos

outra primavera, muita anestesia
ingênua intenção, petróleo esgotado

o frio entre nossos corpos
a taça pode compensar

inebriar nossos cegos espaços

*Luiz Cláudio Pimentel
17/65

08 junho 2026

gerador de quero quero 

é simples a atitude
tão óbvia que transparece
mas quase que emudece
entre nossos dentes 

é lógica a sincronicidade
tão inerente à nossa idade
o que aproximou poetas de sua musa
nos recusa, ante nossas frentes

desgasta ser nomeado sensível
viver os quases, esmurrado pelo incrivel
quero querer ser gerador
e conformado, ser mero

Luiz Cláudio Pimentel 
*16/65






sistemático

comandado, a caminho
apontar, preparar, fogo de palha
que o valha, sozinho

debandado, acre vinho
alterar, ajustar, jogo de pose
que o ousem, carinho 

automático, desalinho
performar, postergar, logo em unidimensão
que o ouçam, atenção! 

* Luiz Cláudio Pimentel
15/65

luz da montanha

essa roda imparável
sombra da caverna
me assombra, implacável

vida tamanha sem preço final
sempre devido:indevidas decisões
vacilos invictos

corrida estranha sem linha inicial
nunca finalizada:indecisas direções

essa rota insensível
luz da montanha
arrebanha, invencível

sigilos convictos

* Luiz Cláudio Pimentel
14/65



 

 

possivelmente

já era...
quisera!
embora, 
quem eu fui há eras

possivelmente tenha, há tempos idos
se corroído

quem dera, suponho, 
sou esfera, reluzente 

possivelmente venha, 
sem demora
incandescente.

* Luiz Cláudio Pimentel 
13/65


 

03 junho 2026

têmpera

posso me considerar, provado pelo tempo
admito: não tenho prataria
mas é áurea minha essência
real, a dúvida
a dívida, existencial

a dor: lancinante
delírios alucinantes

posso me deliberar, pautado pelo pêndulo
reconheço: não tenho posse
mas é dúbia minha vivência
ideal, no que me proponho
em módulos, exponencial

a cor: tão brilhante
colírios revigorantes.

 *Luiz Cláudio Pimentel

12/65 

02 junho 2026

valeu, luiz

minha ficha, a posto
jogo a jogo
sorte se espicha
azar a gosto

espero corações
ganho polegares
inválida, minha ação
esvai-se pelos ares

ao léu, minha jogada
lance a lance
olhares ao céu
chance descartada

procuro emoções
recebo deslizares
esquálida, minha execução
esmigalha-se, sem olhares

*Luiz Cláudio Pimentel
11/65

01 junho 2026

sombrinha

teu sorrir é único
incontrolável dentro de teus seios
da face que ostentas

teu cuidar é esquadrilha
plena de desarmamentos genuínos
silêncios, sonoridades em tantas emoções

teu andar é clínico
desfilável fora de teus quadris
do corpo que sustentas

teu caminhar é a sombrinha
de tanta luz que refletes
emites, remetes em tantas direções

orações para que me ouças
pode crer nesta amizade?

* Luiz Cláudio Pimentel
10/65

31 maio 2026

 cinco cinquenta e nove

Sábado em dioturna intensidade
Na minha vivência, queria pausar
Porém, está virado de verdade

Desacelero o passo, 

domingo cinco cinquenta e nove
me desloca devagar 

Trezentos e sessenta e tantos
Na minha insistência, queria acertar
Porém, enviesado por saudade

Eu recupero o compasso, 

domingo cinco cinquenta e nove
me reconstitua o ar.

*Luiz Cláudio Pimentel

9/65

 dispenser

deter gentes, dispensá-las
derreter mentes, dispersá-las

deformar o diferente

rever dentes, calibrá-los
entorpecer entes, realinhá-los

reformar o divergente

*Luiz Cláudio Pimentel 

8/65

29 maio 2026

semtítulo

semínimo
cem títulos que o cercam
enxarcam, preenchem

semântico
sem lógicas que o prendam
exaurem, persigam

sinônimo
sem dogmas que o constranjam
espremam, periguem

sentidos. 
* Luiz Cláudio Pimentel

7/65

virada de chave

sei que é um processo
um estresse, necessário
virada de mesa

incertezas contestadas 

processo que nada sei
um alívio, temporário
mirada indefesa

convicções escanteadas.

*Luiz Cláudio Pimentel
6/65

27 maio 2026

Vens e Vais

mordes, assopras 
concordas, alopras
alucinas

fascinas, matreira
à tua maneira
tchau, rotina

despertas, laboras
esperta, embora
séria brincadeira

alivias, estrangeira
24 horas inteiras
segues tua via.

*Luiz Cláudio Pimentel

5/65 

26 maio 2026

 Alguém A.I. ?
(inspirado por Jorge Drexler)

tem alguém, A.I.?
e daí, se há?
do ai ao zen
há ninguém...

tem ninguém, I.A.?
e se houver, virá?
do "why" ao "when"
há de haver, alguém.

 *Luiz Cláudio Pimentel
4/65

25 maio 2026

 reflexão à beira do Paranoá


a vida é batidão
a gente se dispõe até a acelerá-la

calma lá...

vou Paranoá
na manha candanga
em suas entranhas, curvas retilíneas do arquiteto

a lida é redenção
a gente se dispõe até a comprimi-la

vai que desfibrila!

vem Paranoá também
na minha cantiga
em nossas estranhas, retas encurvadas no céu sem teto
 

* Luiz Cláudio Pimentel
3/65

cento e oitenta degraus

considera a vida, meu caro
como a linha provavelmente reta

o que impera, nas inverdades, é a dureza
a beleza enfeiada pelas distorções

caíste na realidade
cento e oitenta degraus de indiferenças
de diferenças postas à cara

recalibra a rota, meu prezado
com um fardo improvavelmente pesado

o que gera, na verdade, alguma tristeza
a descrença recheada pelas constatações

revisitastes algum desabrochar de bondades
cento e oitenta degraus do peregrinar
do consolidar de tua liberdade

*Luiz Cláudio Pimentel
2/65 para 50 Anos - 1440 poesias

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